quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PROCURAR NAS ALTURAS?
















Entr' a serra e o céu
Só se vê com o olhar
E ninguém lhe chama seu,
Nem o consegue contar.

Entr' a serra e o céu
Só há imaginação!
De certeza, digo eu,
Há a nossa salvação!

Entr' a serra e o céu
Há mundos por descobrir:
Se já alguém lá viveu,
Diga, que quero ouvir.

Neste desejo profundo,
Conhecer mundos dos outros...
Ignoramos nosso mundo
E queremos ver os outros!

Se olhássemos pró céu
E prás belezas da serra,
Já sabemos, digo eu,
O Céu já desceu à Terra!

Modesto

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SOMOS A POESIA DA VIDA



















Somos estrofes na poesia da vida,
Numa métrica apurada e perfeita,
Escrita e declamada plo Deus da vida:
Ele é o Supremo Poeta Perfeito!

Fez tudo a rimar harmoniosamente,
Quando escreveu o poema mais complexo:
Fez Homem-natureza, sentimentos, mente...
- Poema intercalado no Universo!

Mas o Homem afastou-se da Sua rima
E vieram maus sentimentos, com certeza...
Estragou a rima e fez-lhe prosa por cima
E começou a maltratar a Natureza!

Mas Deus renovou a poesia da vida:
Novas rimas, métricas de consolação,
Deixou perfeita a poesia da vida,
Dando-nos Jesus - Poeta da Salvação!

Modesto

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A CASA ABANDONADA



















A velha casa onde morei outrora
E que já há muito está desabitada,
Silenciosa envolve-m' ao ver-m' agora,
Num triste olhar de amante abandonada.

Com que amargura o seu íntimo chora
A casa, ao sentir-s' assim desabitada,
Sem ter voz para se queixar... muito embora
Me consome, por ser de todos ignorada!

Casa deserta e fria que envelheces,
Eu bem sinto que tu me vês e me conheces,
Ficaste ao abandono, sem afeição!

Eu esqueci-te, amiga, e tu pereces!
Relembro esse dia que tu não esqueces,
Sentes-te magoada dessa ingratidão!

Modesto

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

ANOITECE



















Escurece o Ocidente em agonia,
O sol baixa... Aves, em bandos destacados,
Fogem. Vai fechar-se a pálpebra do dia,
Com céus de ouro e de púrpura raiados.

Avistam-se, para além da serrania,
Os raios do sol em chama aureolados:
Uns com os tons suaves de melancolia,
Outros, em volta, esbatem-se desmaiados.

Evaporação de cheiros no ar flutua,
A sombra cresce, enquanto a luz recua.
Forma-se um belo arrebol... Arrefece!

Aos poucos, por entre as árvores, a lua
Surge trémula, mas com a vontade sua,
Alumia a Natureza... Anoitece!

Modesto

domingo, 3 de setembro de 2017

O TEU OLHAR


















Foi por aqui, sob estes arvoredos,
Neste doce e belo horizonte,
Murmurava, lá baixo, os meus segredos,
Junto da clara e pequena fonte.

Recordo bem todos os cantos ledos
Da passarada. Lembro.me da ponte,
Do mar azul, batendo nos penedos
E, mais além,Via-se essa fonte...

Sinto impressa 'inda a paisagem
E o tremer ao vento da folhagem,
Das culturas, num sítio agreste...

A luz do dia já ia morrendo...
Foi por aqui que, pensando, fui crendo
No quanto pode o teu olhar celeste!

Modesto

sábado, 2 de setembro de 2017

OS MEUS BELOS TEMPOS IDOS

























Meus tempos estão perdidos,
Apagadas as imagens
Tão belas nos tempo idos...
Também perdi personagens!

Hoje, passados vividos
Que são já vagas miragens,
Os sentimentos sentidos
Não são as mesmas paisagens!

Sentimentos vão morrendo,
Ou, então, vão-se perdendo
Os belos dos verdes prados...

Neste passar, vou sofrendo,
Volto aos sonhos passados,
Recordo meus idos fados!

Modesto

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

QUANDO SOAR A ÚLTIMA HORA


















No dia em que soar a minha hora,
Dizer que não quero, é ineficaz!
Voando a minh' alma espaços fora,
Nunca mais eu poderei voltar atrás.

Talvez me angustie ao ir-m' embora...
Saber pra onde vou? Eu sei que vou em paz!
Eu não pedi para vir pra cá,  agora
Acato a voz que diz: - Não ficarás!

Para seguir sem estorvos na viagem,
Cá deixarei tudo à minha linhagem:
Vivi com amor onde nad' era meu.

E, como um viajante pobrezinho,
Os Anjos me levarão plo seu caminho:
Alma num corpo emprestado, sou EU.

Modesto

VEM VISITAR-ME

Já é tempo, Senhor, de visitar-me Neste casebre do meu coração; A porta está aberta, vem escutar-me, Ouvirás esta humana confissão: Há muito...