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O BELO OUTONO
















Outono, meu Outono resplendente,
Oásis de paz, beleza e magia,
Encanto sereno e envolvente...
Nem a Primavera inventaria!

Nas translúcidas tintas do poente,
Há mensagens de cor e harmonia
De outros mundos, dum céu diferente,
Onde divaga minha fantasia.

Folhas soltas vagueiam pelo ar,
Encanto d' alma - meu imaginar -
Lindos tapetes dignos de rainha...

Tecidos pouc' a pouco nas valetas,
Com' almas peregrinas de poetas,
Brindando à Musa, sua madrinha!

Modesto



CAMINHO DE BEM VIVER



















Se rezo e Deus quer ouvir
S' a voz sai do coração.
Preceito da oração:
Dar-Lhe graças e pedir.

Rezo? Alcanço tudo,
Com meu filial dever.
Sou um desprezível ser,
Mas adoro como mudo.

O Pai ouve minha voz...
Pedir, falo-Lhe a sós,
Sou pobre só de amor!

Adoro-O em oração:
Pai do céu, dá-me lição,
Alivia minha dor!

Modesto

SAUDADE














Verdes e baixos vales, alta serra,
Duras e solitárias penedias,
Correntes águas, frescas fontes frias,
Testemunhas velhas qu' em mim s' encerra.

Com suspiros o ar, prantos a terra
Encho. Vós o sabeis, selvas sombrias,
Onde chorando vou, noites e dias,
Saudades d' amor, d' ausência guerra.

S' o vosso natural só de si move
A triste sentimentos mais contentes,
Que sentirão os tristes de verdade?

Ah! não vos espanteis qu' em vós renove
Saudades passadas e as presentes,
Pois tudo o qu' em vós há é saudade!

Modesto

NOS ELOS DO TEMPO















Ilusão a buscar na passarela,
A magia e o pranto, no silêncio
É indecisa coisa paralela
Em que o tempo s' embrulha no lenço.

O dia esvai-se e esmorece,
A noite vem plena de lua cheia,
No céu 'strelado o sol adormece...
É batalha sem glória n' ameia.

Nós somos livres, porém limitados,
Resta-nos, enfim, nosso pensamento,
Com os olhos da alma apurados,
Chamamos o ontem, vem o tormento.

Estamos presos aos elos do tempo,
Soltos à procura de espaço,
O homem emigra como o vento
E deixa a lembrança no terraço.

Modesto


AO AMOR DA MINHA VIDA

















Não chames o meu amor de idolatria
Nem de ídolo. Realça a quem eu amo.
Pois todo o meu amor a um só s' alia
E de uma só maneira eu o proclamo.

És hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável e em grande excelência.
Por isso, a minha rima é tão constante
Numa só coisa e exclui a diferença.

Beleza, Bem, Verdade - Eis o que exprimo.
Beleza, Bem, Verdade - é onde me sento.
Em tal verdade está tudo o que primo.

Em um, são três temas de amplo movimento:
Beleza, Bem, Verdade, sós como outrora,
E num mesmo ser vivemos juntos agora.

Modesto

QUERO
















Quero a doce luz dos vespertinos pálidos,
Lançar-me com paixão entr' as sombras das matas
- Berços feitos de flores e carvalhos cálidos
Ond' a poesia dorm' ao som das cascatas.

Quero aí morar - o meu viver etéreo,
Quero aí chorar os tristes pranto meus...
E com o coração nas sombras do mistério,
Sentir minh' alma entre a floresta de Deus.

E na floresta erguida nos galhos húmidos,
Ouvir os cantos alegres da cotovia...
Da Natureza, quero dela os bens túmidos,
Beber a calma, a crença ardent' altiva.

Quero, eu quero ouvir o cantar das águas
Nas asp'ras ribeiras que irrompem plo chão...
A minh' alma cansada plo peso das mágoas,
Que só quer dormir no colo da solidão.

Modesto

TEMPOS DE SONHO E POESIA

























Vejo como e quando escrevi meus versos,
Quando procuro o caminho dos meus sonhos.
Observo os pequenos segredos submersos
Na alma, encostada aos tempos risonhos.

E já encontrei vários sonhos dispersos
E alguns deles até eram bem tristonhos,
Mas alguns perderam-se em tempos adversos...
Foram anos encantados, dias de sonhos.

Havia estrelas nos céus dos devaneios,
Veredas da poesia eram os meios
Entre encantos de amor, também de penas.

E hoje relembro os versos desses dias,
Flores d' amor que me deram e poesias:
Tudo coisas que compõem os meus poemas.

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...