17_06
DIA DA REFORMA
No dia que for deixado
Partir, depois de ter ido,
Vou ser vento libertado
E como um desvalido,
Plantar flores no meu prado
Num solo fertilizado
E dá-las ao oprimido.
Vou soltar as estribeiras,
Cavalgar nuvens d' idade,
Vou boiar nas corrdeiras
Dos meus rios represados...
Vou montar a liberdade
Em passeios de beldade,
Com pena dos atrasados.
Meus sonhos, pajens de ninfas,
Luzes, sombras sobre lagos,
Prados em flor, claras, tintas...
Mistérios abafados!
Vou apascentar o gado,
Com segredo bem calado,
Na paz d' ovelhas famintas,
Vou pra vales bem ervados!
Modesto
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