quinta-feira, 25 de agosto de 2016

NUMA SÓ SOMBRA
















Passeemos tu e eu devagarinho,
Sem ruído e sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
Seja pisada sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações num torvelinho
Dessas folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber este precioso vinho,
Da rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier... deixá-la vir.
E se a noite quiser pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas.

De costas para o sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.

Modesto

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