sexta-feira, 9 de março de 2018
NA QUINTA À BEIRA DOURO
No rebuliço da quinta, cai a tarde!
O prado em flor ensombra lentamente...
À minh' alma vem a onda da saudade
E espalha-s' em tud' aquilo que sente.
Fico só e a cismar... Olhar ausente,
Com lembranças qu' o coração me invade.
Uma rosa, no jardim, comigo sente...
Eu pego-a com doce suavidade.
Sento-me à beira Douro e lá miro
Meu rosto na água... pétalas atiro
Ao rio que mansamente se renova.
Vejo minh' imagem n´água mergulhada!
Cobre-me a rosa... já não vejo nada...
E, distraído, estou na praia nova...
Modesto
quinta-feira, 8 de março de 2018
À PROCURA DOS MEUS RASTOS
Olho para mim, como s' olhasse um 'stranho,
E choro por me ver tão outro, tão mudado...
É que sofro de um mal e dum mal tamanho,
Sem saber desvendar a causa, com cuidado!
Já não sou o mesmo EU do tempo passado:
Pastor de ovelhas,,, Perdi o meu rebanho!
Não conheço a vida... Tudo 'stá mudado,
É incógnito provir em que me amanho...
Rasgaram a minha alma em tal desgosto,
Nas silvas do abandono,pelo sol posto,
Quando o sol começa a diluir-s' em astros...
E, à beira da estrada, lá muito longe,
Como um mendigo só, ou um santo monge,
Anda meu coração em busca dos seus rastos!
Modesto
quarta-feira, 7 de março de 2018
AMOR DOADO
O meu amor é doado
Com gratuita assistência
De Cristo ressuscitado:
A mais divina ciência!
O meu amor é doado
Em comunidade séria.
É amor sublimado
Na pureza da matéria.
O meu amor é doado
Ao outro com paciência:
É amor de caridade.
O meu amor é doado
Com a plena consciência
De ser amor de verdade!
Modesto
terça-feira, 6 de março de 2018
O FASCÍNIO DA CHUVA
Gosto de ti, ó chuva, quando cais
Batendo forte na vidraça nua,
Com fúria, despenhas-t' em caudais
Que correm, como riachos, pla rua.
Cantas e danças... ritmos infernais
Numa lascívia bárbara, só tua!
Que dizes? Donde vens e p'ronde vais?
São segredos que mantens com a lua?
O que me vens dizer ao coração
Em horas d' incerteza e solidão,
Fico ouvindo... tento decifrar!
Mas tu, discreta, guardas teus segredos!
S' estendo a mão, afagas-m'os dedos,
Se fecho os olhos, deixo-m' embalar!
Modesto
domingo, 4 de março de 2018
DOCE PAIXÃO
As mãos que acariciam
São prelúdio d' amor,
Os amantes apreciam
E há na fac' um rubor.
Olhos transmitem ternura
Que fascina e encanta,
Uma serena duçura
Os males d' alma espanta.
Depois, aument' o desejo,
Surge bela atracção ...
De repente, há um beijo
Roubado na distracção.
Modesto
sábado, 3 de março de 2018
AMOR NUM POEMA
Poema, diz ao meu amor, neste momento,
Que ria de mim e da minha nostalgia!
Mostra, neste verso, brio do meu talento,
Que quem faz a rima, também faz melodia!
Que guarde meu amor dentro da poesia:
Dentro da poesia, 'stá meu pensamento!
Amor sem dor, não resiste à alegria,
Às sombras e luzes do seu deslumbramento!
Vai, meu poema, leva-lhe mais um terceto:
Vai e revela-lhe quem é que lhe escreve
Em letras de ouro, aqui, sobre a neve...
O meu amor por ti, fez pra ti um soneto!
Podes não gostar, mas insisto neste tema:
S' o amor morrer, ressuscita num poema!
Modesto
quinta-feira, 1 de março de 2018
MELANCOLIA AO ENTARDECER
Vai-se apagando o sol no poente!
O céu 'stá nublado e chove agora.
E a tarde agoniza lentamente...
Até parece qu' a Natureza chora!
A chuva cai nos telhados e na vidraça
E, ao cair, cada pinga espalha,
Tornando a tarde tão triste e baça
E a noite chega fria e farfalha!
Enquanto a chuva cai, a tarde morre,
A noite avança, a solidão corre,
O céu fica sereno mas bem escuro...
Como o entardecer da minha vida!
O sol pôs-se, a noite é caída,
Pesada e fria sobre o meu futuro...
Modesto
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