sábado, 7 de maio de 2016
ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO
Passaram as horas, dias, meses, anos,
Amadureceu, amor, a nossa vida,
Entre compensações e desenganos...
Prossiga a nossa vida bem unida!
A carne tornou-se mais envelhecida,
Diminuíram os bens, cresceram danos.
Mas, em vez de levar tudo de vencida,
Avance o ideal dos nossos planos!
Quisemos ventura, mais que aventura.
Esqueçamos a fibra tenra, ora dura,
À medida que a têmpora embranquece.
É grande noss' amor, bela Criatura!
Se algo correu mal, peço-te, esquece...
Eu sei que nosso amor não envelhece!
Modesto
sexta-feira, 6 de maio de 2016
MAIO CINZENTO
Coroada de nuvens vem a aurora
Por detrás dos montes do oriente,
Vem com rosto de sono 'inda agora,
A meus olhos fantástica, indolente.
Enche os lados dos montes d' ornamento,
O dia vai ficar cinzento e duro.
Mas a aurora vem no seu momento,
O sol perece estar ao dependuro...
O sol a custo rompe, a cust' invade
Um espaço branco e com luz brilhante
Fulge através da força de vontade...
Vem refulgente com véu de diamante.
Fulge sem cobrir o cume das montanhas,
Com brilho nas folhas trémulas com neve.
Parece o inverno com suas manhas,
Já na primavera, seu curso escreve.
Pouc' a pouco dissipa-se no espaço.
As nuvens da manhã subiram os montes,
Vão cobrindo o céu de um negro baço,
Já não se vão vislumbrar os horizontes!
Modesto
quinta-feira, 5 de maio de 2016
CAMINHOS...
Sinto saudades do tempo que perdi
No amanhecer do tempo de sonhar!
Era tempo das paixões que não vivi,,
Foi tempo adiado para amar!
E, nesse tempo, eu tanto padeci!
Era feliz com vontade de chorar
P'las feridas de amor qu' então senti,
Pensando qu' essa paixão ia passar!
Sim! Vivi algum tempo num bom inferno!
Pensando qu' esse sonho não er' eterno...
Algo me seduzia prá liberdade!
Mas não podia separar-me de mim!
Passav' então muito tempo no jardim,
Pensando quem era, com seriedade!
Modesto
quarta-feira, 4 de maio de 2016
NO MEU QUINTAL
Não gosto de caminhar pelas ruas,
Pois não vejo flores que lacrimejam,
Só flores despetaladas e nuas,
Longe daqueles sonhos que desejam.
Minhas mãos tiram ervas espinhentas,
Abrolhos donde vem o meu sustento.
Quintal árido, não me apascentas,
Inútil prosseguir... Porém, eu tento.
Eu hoje consegui fazer a lavra,
Mesmo com falsa luz que a tez grava,
Custando tatuados pesadelos.
De tanto pedregulho recolhido,
As farpas invadem meu sentido,
Com suores caindo sem desvelos.
Modesto
terça-feira, 3 de maio de 2016
O BAILE DA VIDA
O vento sopra sem parar,
Ao compasso do pensamento...
Bailam as folhas, sol e mar...
Nuvens do céu ao mesmo tempo.
Sempre prontas a rodopiar
Estão a lua, as estrelas,
Flores também querem dançar
E os passarinho, ao vê-las:
Dizem uns aos outros baixinho:
Vamos trocar o nosso par E num balanço bem certinho
Lá vão com as flores dançar. .
E com um encanto sem fim,
Baila toda a Natureza
E neste imenso jardim,
Há harmonia e beleza.
Esta é a dança da vida
Onde bailamos todos nós.
Só juntos dançamos o vira
Mas, sem um par, dançamos sós!
Modesto
segunda-feira, 2 de maio de 2016
UM POEMA DA PRAIA
É a hora de voltar,
A brisa acalmou o mar
E vai acalmar o vento
Nos sonhos do pensamento
Que não deixa de gritar,
Nesta noite ruidosa
Desta onda sinuosa
Dos caminhos do luar.
Se não fossem os rochedos,
Mistérios e segredos...
De novo ia voltar.
É quase amanhecer
A noit' a desap'racer...
Sonho enquanto há tempo
Sonho mesmo ao relento,
Que o sol já vai nascer.
A aurora já vem no mar...
Começa a nostalgia,
Ao ver de novo o dia,
Vão-se os sonhos, ilusão!
Praia, sinal de Verão
E há sereias no mar...
Já levantei a esteira,
Saiu areia derradeira,
No fim da minha ' stação.
Modesto
domingo, 1 de maio de 2016
CORAÇÃO DE MÃE
Ser mãe é desdobrar fibra,
Coração seu e alheio,
Na vida, seu amor vibra
No pedestal do seu seio!
Ser mãe, anjo que nos libra,
Desde o berço, o receio,
Força que nos equilibra
No amor e no anseio.
O bem da mãe é o filho,
Luz dos olhos, novo brilho...
Sente-se afortunada!
Seu chorar é um sorriso,
Já vive no paraíso...
Do mundo não quer mais nada!
Modesto
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