domingo, 15 de dezembro de 2013

AMOR SUBLIME
























Quem me dera a esperança
Da minha alma de criança
A perfumar o meu dormir!
Quem dum sonho me acordasse,
Com um beijo me embalasse,
Amor me fizesse sentir!

Mãe, vivi o teu meigo afecto
Como a rosa num deserto,
Regad' em jarra de cristal!
Havia nítida 'sperança,
Nesta meiguice de criança,
Livravas-me de tod' o mal!

Eu dizia ao infinito
Qu' o amor de mãe é bendito,
Aquece como cobertor!
Quem sabe se tu sentias
Como compunhas melodias
Tão sublimes como amor!

Teu perfume 'inda m'extasia,
Nas auroras e luz do dia,
Afugentando 'scuridão!
Apertavas-me no teu peito,
No doce quente do meu leito,
Embalando meu coração!

Fiz minha vida ambulante...
E até naquele instante,
Deste dicas pró meu destino!
Do céu mostras-me teu olhar
Sublime, doce afagar,
Como quando era menino!

Modesto

sábado, 14 de dezembro de 2013

FAZ ISSO HOJE



















Começa hoje a construir - é urgente!
Seja o que for: Choupana, catedral...
Trabalha a pedra, o barro ou a cal:
Regressa à tua fonte, tua nascente!

Não podes deixar que se perca a semente,
Ao arrancar as ervas ruins do teu quintal.
Mas vai: Faz de uma rosa um roseiral,
Sem perda de tempo, agora, é urgente!

Vai: respeita o teu amigo, o irmão...
Perdoa, mesmo que ninguém peça perdão,
Ajuda-o a pôr o trigo no celeiro.

Ensina-o a trabalhar com alegria,
A ouvir cantar a rola, a cotovia...
Antes de semear, que cultive primeiro.

Modesto

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O CANTO DO ROUXINOL
























Deus, criando o mundo, a Natureza,
Como Supremo Poeta, fez do nada:
A cor, a luz, o som... e a singeleza
Qu'há na flor vicejante e perfumada.

Fez a policromática realeza
Dos pássaros a voar em revoada,
Com suas canções de mágica beleza,
Fazem a sinfonia da alvorada.

É lindo o gorjeio de um canário!
O som da cotovia é legendário!
Mas, como o encanto do girassol,

O mais sentimental, o do meu encanto,
O que me ficou ressoando, foi o canto
De um sonoro, plangente rouxinol!

Modesto

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

VISÕES INACESSÍVEIS
























Olha para o mundo inacessível
Onde astros e águias vão pairando,
Donde se ouvem melodias tocando
Sinfonias de amplidão aprazível!

Alma nenhuma, que não seja sensível,
Que não tenha pés para ir dançando
E a região secreta desvendando,
Não pode apreciar beleza incrível!

É preciso que tenha asas e garra,
Para ouvir uns ruídos à fanfarra
Do mundo das almas augustas e fortes!

É preciso subir íngremes montanhas,
Endurecer-se ente visões tamanhas,
Com sentimentos bem subtis e que gostes!

Modesto

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

VEM, SENHOR JESUS!
























Não sei, Senhor, qual o dia escolhido,
Estou, pois, sempre atento e a velar,
Como Vosso escravo preferido,
Já qu'o Vosso gesto é vir e salvar!

Senhor, espero em paz e quietude,
Com grande ânsia em meu coração!
Sois sede de invencível beatitude,
Vossa chama faz viver em mutação.

Vinde depressa, ó meu Senhor dulcíssimo
E transportai meu coração sedento
Para junto de Vós, no céu, ó Altíssimo,
Onde Vossa santa Vida tem assento.

A vida na terra é só agonia,
Meu coração prás alturas foi criado,
Meu plano de vida não s'importaria,
Minha Pátria é o Céu: Foi-me dado!

Modesto

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O POETA



















Qual o poeta que não sabe meditar
Na luta entre a pena e a rimada,
Não se cala nem se procura emendar
Quando enxerga as coisas de má toada?

O bom poeta conhec'os anseios quentes
Da natureza viva  e a espreitar...
Como suas paixões são desejos ardentes,
Mente afiada... Cria vid' ao recitar.

O poeta endurece no sofrimento,
Sabe rir, entre a lágrima e lamento
E derrama no papel a sua tristeza.

Sim! O poeta goza com merecimento
Quando seus versos envolvem por momento
O leitor, revelando sua destreza.

Modesto

domingo, 8 de dezembro de 2013

Ó SOL DE SANDE!



















Ó sol que brilhas tão alto,
Preciso do teu calor:
Do qu' aquece o asfalto
No Verão abrasador.

Ó sol do meu cansaço,
Diz-me por onde andaste:
Se deste o teu abraço
A Sande, s' a encontraste?!

Pois, sol, eu vou-te dizer:
É a saudade, o pranto
Qu' aos poucos me faz morrer,
Qu' eu versejo e lhe canto.

Ó sol, vê a outra margem:
De ti já nem tem o cheiro!
O Douro põe-lhe paisagem...
Sande inda é soalheiro!

Vê tu, Sande, qu'eu não vejo,
(Se teus lábios fossem meus!)
Tu dar-lhe-ias um beijo,
Beija-la-ias?... Meu Deus!

Modesto

PERFEIÇÃO

A perfeição é a celeste ciência Da cristalização de santos encantos, De abandonar os mórbidos quebrantos E viver de uma oculta florescência....