sábado, 7 de dezembro de 2013
ROSAS BRANCAS
Eu cultivo rosas brancas,
Com júbilo em Dezembro
Para ti que bem me lembro
Das tuas caras mãos francas.
Mas és cruel, me arrancas
O coração, mesm' ao vivo!
Lembras cardos que cultivo...
Mas cultivo rosas brancas.
O sol traz-me as lembranças
Que planto em tod' o lado,
Mesmo no fundo do lago
E no jardim das crianças.
Tu, ao sol da manhã, plantas
A rosa que vai nascer,
Por milagre, luzir quer...
Mas trata-me bem as plantas...
E andamos nestas danças,
Com mil pétalas de calma,
Com flor-de-lotus na alma,
A respirarmos bonanças.
Modesto
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
TU SABES QUEM EU SOU
Ninguém procura saber,
Só tu sabes quem eu sou.
Sou a luz da chama a arder,
Quando o fogo s'apagou.
Por encantos ou feitiço,
Ou porque tenho 'sperança...
Sou a presa do capricho
Que me anda na lembrança.
Sou pessoa de bondade,
Nós dois numa unidade,
Como rosas num jardim...
Sou a abelha na flor
Em busca dum grand'amor
Que brinca dentro de mim.
Modesto
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
JÁ POUCOS DIZEM "AMO-TE"
Agora poucos dizem: « Como te amo!».
Talvez porque quer safar da memória
As recordações dum amor de engano
Que se transformou numa velha história!
Então, porque é que eu 'inda me'ufano
De morrer de amores, mesmo sem glória...
S'o que era sagrado virou profano
E o amor a brincadeira secundária?
Eu nunca quis transpor versões proibidas.
Sempre usei todas as formas permitidas
E as paixões não descuidei jamais.
Hoje, padrões de amor foram vencidos!
Então, uso flores em vez dos sentidos,
E procuro amar-te nos roseirais!
Modesto
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
DE PASSAGEM
Passa vento de Outono
Que vem derrubar a tarde,
Caem velhinhos com sono,
Enquanto a fogueira arde.
E passa o tempo louco,
Derrubando os meus sonhos...
Caem por terra, mas pouco,
Porqu'ainda há medronhos!
E eu caio no vazio,
Comigo o coração.
Vou viajar no navio,
Deus sabe com qu'intenção!
Vou atravessar o rio
No barco dos meus favores.
Já todos tremem de frio...
Agasalho-me com flores!
Modesto
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
SONHOS DA ALMA
Minh'alma anda a sonhar
Sozinha e acompanhada,
Qu'às vezes vivo a pensar
S'a alma sonha acordada!
Mas sonho é fio d'água
Que se vai entregar ao mar.
Muitos afluentes de mágoa,
Lá se escoam sem parar!
Vou ser simples como a flor
Que sonha sonhos calados:
Há quem morra sem grand'amor
E sonhos não realizados!
Sou como curva da estrada
E sonho que vou mais além:
Sonho sozinho e sem nada
Qu'é tudo o qu'a alma tem!
Meus sonhos são de esperanças:
Quimeras que ceifam as flores
Nas primaveras das crianças...
Mas conservam as suas cores!
Modesto
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
FANTASIA
O sol já se pôs,
Deu lugar à lua
Que veio maternal
E, numa ronda atenta,
Vigia natural,
Interpreta os sons
Da quadra do Natal...
Quando cai a noite,
Até os próprios rios
Procuram o seu leito.
As águas acalmam,
Tudo é perfeito
E com grande brio.
Aves apressadas
Vão em debandada
Para recolher.
Já canta a rãzada
Que parece afogada
E não se deixa ver.
Cantam nos seu charcos
Girinos batráquios...
Natureza viva.
Nos rios, os barcos...
A pesca se aviva,
Nos meios aquáticos.
Tudo vai descansar.
Já nada quer mexer...
De cabeça a cambar,
Querem adormecer.
Modesto
domingo, 1 de dezembro de 2013
VIGIAI: JESUS VISITA-NOS
Abro portas e janelas,
Preparo Tua visita...
Sei que nos vens avisar!
Organizo-me atento,
Embora em ritmo lento,
Com intenção d'esperar!
Os ruídos são intensos,
Corrupios são imensos,
Não me deixam T' escutar...
Com os fios do desejo,
Teço a rede do ensejo,
Para poder VIGIAR!
E assim sigo seguro,
Nos vazios do futuro,
Mas com vontade tamanha...
Vou esperar Tua vinda,
Pôr a minha alma linda,
Pra T' encontrar na Montanha!
Modesto
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